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"Cazuza Way of Life"

Assisti ao polêmico filme do Cazuza, e depois de tanto ver os alunos falarem nisso e de conversar com eles sobre isso, resolvi desabafar o que penso por aqui. Bom, primeiro é que é difícil falar sobre o que muitos devem concordar e descordar de uma maneira óbvia. Fato é que Cazuza, apesar de ser um super cantor, que eu sempre curti ouvir, quase que mereceu morrer mesmo, na minha opinião. Primeiro quero deixar minha queixa contra os pais dele. Aquilo foi simplesmente um subsídio à vagabundagem e ao espírito de ignorância e egoísmo do referido cantor. A mãe e o pai viram tudo de bizarro que o filho fez e só passaram a mão na cabeça dele. Sei que “pau que nasce torto nunca se endireita”, mas pode ser melhorado. A mãe dele viu tudo que ele fez e se submeteu ao espírito infantil e irresponsável do filho que, com o dinheiro do pai que, diga-se de passagem, era bastante ausente, fazia o que queria da vida. Agora, sendo mais direto ao caso, o filme foi bem interessante no que tange ao realismo, ou seja, não glorificou o cantor, nem escondeu a realidade. E, aliás, agora é só isso que posso fazer por Cazuza, ouvir sua música, porque passei a repudiá-lo. A questão que mais chamou atenção da maioria das pessoas foi a promiscuidade de um homossexual, ou seja, o fato de Cazuza transar com um cara, uma menina, um casal, um grupo, seja lá o que ou quem fosse. Quanto a isso, eu acho o seguinte: o que a pessoa faz dentro de quatro paredes é da conta dela, mas considero que a  promiscuidade é reprovável sempre, seja no mundo gay, hetero ou bissexual. Afinal, isso é falta de princípios de ética e sinceridade que, acredito eu, sejam considerados fundamentais para uma pessoa conviver e confiar na outra. Hoje em dia me pergunto se esses valores são coisas do passado, ou se são coisa de gente doida, porque conversei com uma pessoa que me disse o seguinte: “promiscuidade seria fazer sexo com qualquer um num ônibus, ter rotatividade de parceiros, sem ter que amar a pessoa ou ter compromisso, isso não é promiscuidade”. Há um princípio para ele de que promíscuo seria fazer sexo por fazer em qualquer lugar, e fazer com uma pessoa com quem conversou primeiro e não vai ter relação séria, é uma forma de viver opcional e não-promíscua. E eu realmente me perdi nessa evolução. Não sei se me tornei obsoleto ou me conservei casto. E não me interessa estar errado ou não, porque eu não me mantive “não-promíscuo” porque isso é certo ou errado, me mantive assim porque é assim que eu penso e desejo. Quero ter minha intimidade com uma pessoa com quem tenho sentimento e desejo, e não um corpo para transar e dizer “obrigado”. Voltando ao filme, outra coisa reparável, é que Cazuza era tão mimado e tão filhinho de “papai-e-mamãe”, que não se entendia com ninguém, e se achava no direito de afrontar e desrespeitar todas as pessoas. Achava isso bonito! Chamar atenção, invadir a individualidade do outro, o direito de não querer ouvir sua opinião sobre como ser “Cazuza e feliz”. Julgava que todos estavam errados por não serem como ele. Mas, o pior de tudo, na minha opinião, deve ser o fato de que, o que parecia lindo, heróico, aventureiro e/ou até exemplar para jovens “porras-loucas”, seria a defesa do “eu quero curtir a vida, não sou de ninguém”. É esse o ponto que para mim desqualifica qualquer ser humano: a falta de princípios e consideração com as pessoas. Claro que curtir a vida é algo bom e necessário. Mas você não existe sozinho, você tem pessoas que, em geral, te amam, te colocaram no mundo, te criam e sustentam, e como você faz isso? Como consegue ser tão egoísta? Não consegue se colocar no lugar do outro? Enfim, não respeita o outro. É um egoísmo e uma falta de princípio. E apesar de falarmos de Cazuza como um exemplo, a essência da crítica aqui é o comportamento bizarro que muitos julgam necessário para dizer “eu vivo a vida”. Se você não fizer isso ou aquilo ou, não tiver isso ou aquilo, você não é ser humano, você não é o máximo, você não é “legal”/”maneiro”. E por uma lástima do “quem procura acha”, veja no que deu. Cazuza foi, curtiu sua vida mimada e porra-louca (e egocêntricamente infantil) até que “tomou no cu” (como ele mandou a própria mãe fazer quando ela jogou a maconha dele no vaso), ou seja, pegou AIDS. Isso graças a sua promiscuidade sem fim e/ou as injeções contaminadas (vá lá saber por onde ele se contaminou). Daí eu pergunto: por que nessa hora ele não manteve sua opinião: “Não preciso de ninguém!”/”Não sou de ninguém!”/”Não preciso ficar na aba de ninguém!”? Não, nesse momento, a mãe e o pai, deixando de viver suas vidas, passaram mais uma vez a cuidar do filho “porra-louca” que pegou AIDS (numa época em que o AZT ainda era projeto-criação). Não sei se estou deixando claro meu ponto de vista do quanto uma pessoa assim é egoísta, infantil, imatura e sem princípios, e que muita gente que assistiu ao filme ainda pensa que ele curtiu a vida e é assim que vou fazer também, fantasiando o mundo da televisão. Sei que muitos que lessem (já que são poucos) isso, concordariam, e outros não. Só sei que eu ainda prezo por bons princípios e tenho consideração com quem também tem comigo, e vou seguir assim, mesmo parecendo estranho no mundo de hoje. Cada um na sua.



Escrito por Marcelo às 01h34
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